Quinta do Monte D´Oiro Aurius 2003

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In Tinto

Não é à toa que a maioria dos posts que coloco actualmente é relativa a vinhos com mais de 5 ou 6 anos… especialmente se tivermos em consideração que parece-me de senso comum assumir que a qualidade geral do vinho em Portugal tem crescido muito, diria eu nas últimas duas décadas… mérito superior para os Produtos, sem margem para dúvida, e mérito também para o consumidor, que duma forma geral aumentou a exigência e colabora duma forma mais activa para o gosto pelo vinho. O mercado cresceu em valor no consumo interno, e apresenta fulgor no mercado externo… então porque destaco normalmente vinhos com mais alguns anos de idade? Porque se é verdade que os vinhos melhoraram a qualidade geral, também convergiram para um perfil muito semelhante, homogéneo e “fast drinking”… e na maioria das vezes, apetece-me um (ou mais do que um…) copo de vinho com carácter! E este sem dúvida nenhuma tem!
A cor estremece qualquer mesa… Quais 11 anos?! Será 2003 ou 2013? É 2003.

Limpo, brilhante e cor tendencialmente púrpura escura. Uma enciclopédia vinícola olhar para um copo destes… Panóplia de aromas e densidade cromática fantástica.
Provar demonstra no copo, aquilo que só realmente o tempo consegue. Impressionante.
Bom, pelo princípio… Aromas fechados e quentes, com figo a dar o mote. Parece-me também ligeiro cacau, morno – aquele aroma do resto das chávenas de chocolate quente, qaundo era pequeno e ficava aquela “calda” de cacau e o resto do leite… bom, aromas iniciais mornos mas uma bomba de intensidade da prova de boca!
Desafia qualquer conceito dos perfis de vinhos actuais, demonstrando que é o estágio e a correcta maturação que permite colocar em evidência o que é um grande produto, pronto para os palcos globais, e muitas vezes dificil de compreender em circulos mais estritos.
Infelizmente, Portugal é sem dúvida um mercado pequeno, apesar de proporcionalmente no rácio de consumo per capita, ser um mercado de destaque. Mas conseguir produzir vinhos destes, essencialmente para um mercado como o nosso, a preços acessíveis, é de louvar… e agadecer.
Voltando a esta garrafa… Impossível explicar por palavras o equilíbrio entre a intensidade e a elegância que tem. Impossível.
Notas vegetais e à medida que respira, florais… apimentadas por fruta quente, ligeira e quase confitada. Final estonteante, cheio, redondo, mágico na intensidade, fulgor na persistência… Muito complexo para harmonizar, pois é aquilo que denomino um vinho “muito reagente”, ou seja a sua intensidade é tal, que facilmente na harmonização com a comida, provoca diferentes (e evidentes ) sensações… se não houver cuidado, facilmente o vinho cresce muito mais do que a comida…
Touriga Nacional, Syrah, Petit verdot e Touriga franca.
Penso que o grande destaque deste vinho é a nobre elegância que se sente em cada golada de vinho, como em poucos, polida pelo – inalcançavel por outros meios – efeito dos anos e da muita qualidade empregue desde a vindima à vinificação e estágio. Soberbo.
Baco seria teu amigo do Facebook pessoal, Quinta do Monte D´Oiro. De certeza… vivesse ele onde vivesse…

 

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Comments
  • Flavio
    Responder

    Caro Mr. Wolf,

    Em primeiro lugar, parabéns pelo novo site! Muito sofisticado, como os vinhos que aprecias.

    Sobre este vinho, consegui, depois de muito tentar, adquirir uma garrafa desta preciosidade de 2003 e uma garrafa do 2004. E melhor, paguei um preço que achei justo, perto de 35 Euros a garrafa (o que para nós, aqui no Brasil, para um vinho dessa categoria, é uma pechincha…).

    Grande abraço,

    Flavio

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